Eleições 2026: Baixada Santista tem 'tendência mais conservadora', diz especialista
04/10/2026
(Foto: Reprodução) Urna eletrônica
TSE
A Baixada Santista deve ter aproximadamente 1,4 milhão de eleitores votando neste domingo (4). O número representa aproximadamente 4,1% do eleitorado do estado e deve influenciar no resultado a favor de candidatos conservadores, segundo a cientista política Clara Versiani dos Anjos.
Ao g1, a especialista explicou que o voto é um dever cívico de enorme importância. "É a escolha daqueles que, no final das contas, vão determinar os rumos das políticas públicas que afetam a todos nós. Todos nós dependemos dessas políticas: na educação, na saúde, no abastecimento de água, no fornecimento de energia, enfim, no acesso àquilo que são os bens públicos”, ressaltou.
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De acordo com ela, o perfil de eleitores na região, levando em consideração as eleições anteriores, aponta uma tendência mais à direita conservadora. A maior parte dos prefeitos eleitos na Baixada Santista, inclusive, pertence a partidos de centro-direita.
Agora no g1
Historiadora e professora universitária, Versiani fez uma análise do cenário eleitoral na Baixada Santista. Veja a entrevista completa:
Atualmente, como a senhora analisa o perfil atual de eleitores na Baixada Santista?
O perfil da Baixada já, há algumas eleições, é um perfil mais inclinado a uma tendência mais conservadora de direita. E isso é o que mostram os resultados de eleições que já vêm de algum tempo. Embora, no caso de Santos, haja, como indicam algumas pesquisas que foram realizadas, ainda uma porcentagem expressiva, mas que não é a maioria, de eleitores mais progressistas.
Então, em cidades com mais diversidade, cidades maiores, como é o caso de Santos, você encontra um eleitorado progressista mais significativo. Mas, de um modo geral, na Baixada toda prevalece um alinhamento de um eleitorado mais conservador e de direita.
Mais jovens estão votando na região?
Há uma diminuição da participação dos mais jovens já há algumas eleições, isso já vem sendo notado. Essa diminuição também pode ser observada no quadro nacional. As explicações para essa diminuição, tanto nacional quanto regionalmente, algumas são as mesmas.
Algumas dessas explicações se devem mesmo ao envelhecimento da população. Então, a gente tem um número menor de jovens na população. A população do Brasil, de modo geral, vem envelhecendo. Na Baixada também, principalmente. Então, há uma questão que é demográfica. Então você tem uma diminuição do número de jovens. Mas não é a única questão.
Existe também uma diminuição do número de jovens que se interessam pelo voto, ou que se interessam pelo voto nas legendas e no sistema partidário tradicional. Isso se deve ao afastamento da população de uma maneira geral, e, sobretudo dos mais jovens, em razão de uma série de mudanças econômicas, sociais e políticas ao longo do tempo, das entidades que são entidades de representação coletiva, como sindicatos, associações, movimentos e etc.
E jovens que se informam principalmente através das redes sociais, através de influenciadores, ou seja, esses jovens são muito desengajados do movimento político ou das legendas políticas tradicionais. Não que eles não se interessem por política de uma maneira geral, mas não se interessam tanto pelas eleições. Essa seria uma outra explicação.
Clara Versiani é cientista política, historiadora e professora universitária
Luigi Bongiovanni/ Arquivo A Tribuna Jornal
Ainda no cenário regional, qual é a sua avaliação em relação à escolha dos eleitores nas últimas eleições? Podemos dizer que as pessoas optam por candidatos de acordo com familiaridade, ideologia, proximidade ou propostas?
Essa escolha é mais dirigida para o campo conservador de direita. Isso no caso da Baixada Santista tem predominado essa escolha.
A gente pode dizer que esse comportamento já vem de algum tempo, mais inclinado a um comportamento conservador, mais à direita, ele é um comportamento ideológico. Embora ele não seja identificado com nenhum partido especificamente, mas a gente percebe um eleitorado que se identifica com ideias mais conservadoras e mais à direita. Não propriamente com ideologias. A escolha desse eleitorado conservador ou de centro é uma escolha quase sempre pautada, muitas vezes, ou por essa tendência, por essas ideias que são ideias mais afins a esse eleitorado.
De uma maneira geral, há uma tendência a se votar nos candidatos, principalmente no caso de deputados, deputados estaduais e deputados federais, em razão da proximidade, sobretudo no caso dos estaduais. Alguém que seja da região, que seja conhecido da região e, claro, que seja próximo dessas ideias que são ideias mais conservadoras.
Então, a gente pode dizer, sim, que há uma inclinação nesse caso, por essas ideias que não se configuram propriamente numa ideologia com uma pauta política definida, mas que são ideias mais conservadoras.
A senhora acredita que a maior parte da população, especialmente na Baixada Santista, escolhe os candidatos de última hora ou já possui as escolhas estabelecidas há bastante tempo?
No caso de deputados federais, estaduais e senadores, essas escolhas costumam acontecer mais em cima da hora.
Para cargos executivos, as pessoas já têm, até porque isso é amplamente divulgado na mídia durante muito tempo. Muito antes de um processo eleitoral começar, das campanhas começarem, das escolhas acontecerem, esses nomes já são ventilados e isso vai criando uma familiaridade, as pessoas já vão se posicionando à medida em que as candidaturas já vão se definindo mesmo antes do início do processo.
Com relação a deputados federais, estaduais e senadores, isso acontece depois. E a tendência das pessoas é, de uma maneira geral, escolher em cima da hora, ou até mesmo não escolher. Há dados, por exemplo, do TSE [Tribunal Superior Eleitoral] que mostram que nas eleições em que há renovação de dois terços do Senado, há um número muito alto de abstenção para a segunda vaga de senador.
As pessoas, muitas vezes, não sabem que elas podem votar em dois candidatos para o Senado. Então, isso é um sinal de que as escolhas acontecem em cima da hora. O fato de se abster porque não sabiam ou não sabem, demonstram uma certa falta de conhecimento a respeito de quais são os cargos que estão sendo disputados naquela eleição, isso demonstra que os candidatos são escolhidos em cima da hora.
Poderia explicar a diferença do voto nulo e do voto branco? E qual papel deles em uma eleição?
Voto nulo e branco são votos inválidos. Então na própria urna eletrônica você tem a opção de votar em branco. Então não faz diferença. As pessoas podem anular o voto e podem anular o voto, às vezes, sem saber que estão anulando, digitando um número errado. Então esse voto é anulado.
Mas, em termos de contabilidade final, esses votos são votos que não são válidos. Eles não vão para nenhum candidato, eles não são computados para nenhum candidato, eles não são considerados na hora de se estabelecer o quociente eleitoral e o quociente partidário, que são os dois quocientes que devem ser considerados numa eleição que é proporcional, e nesse caso nós estamos falando da eleição para deputados federais e estaduais.
Para o Senado, o voto é majoritário, ou seja, não é proporcional, não entra esse quociente eleitoral nem partidário, são os candidatos mais votados que ocupam as duas vagas. E para governador e presidente também é o voto majoritário.
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